Ciclo menstrual e apetite: por que a fome pode mudar?

 

Ciclo menstrual e apetite: por que a fome pode mudar?

Você já percebeu que, em alguns dias do ciclo menstrual, a fome parece aumentar?

Isso não acontece necessariamente por falta de controle.



As oscilações hormonais ao longo do ciclo podem influenciar o apetite, a saciedade, o metabolismo e até a preferência por determinados alimentos.

O que acontece ao longo do ciclo?

O ciclo menstrual é marcado por variações importantes de estrogênio e progesterona, hormônios que também interagem com mecanismos responsáveis pela regulação energética.



Durante a fase folicular, especialmente próximo à ovulação, níveis mais elevados de estrogênio podem estar associados a menor ingestão alimentar em algumas mulheres.

Após a ovulação, durante a fase lútea, a progesterona aumenta e o apetite pode se elevar.

É justamente nessa fase que algumas mulheres relatam:

  • mais fome;
  • maior vontade de comer;
  • aumento da busca por alimentos mais palatáveis;
  • maior desejo por doces;
  • dificuldade maior em manter uma restrição alimentar.

Mas por que isso acontece?

A regulação do apetite envolve uma complexa comunicação entre cérebro, tecido adiposo, trato gastrointestinal e hormônios.

Sinais como leptina, grelina, GLP-1 e colecistocinina participam desse sistema.

As alterações hormonais do ciclo podem modificar essa rede de sinalização e também interagir com os circuitos cerebrais relacionados à recompensa alimentar.

Além disso, a temperatura corporal tende a aumentar durante a fase lútea, e estudos sugerem que o gasto energético pode apresentar uma pequena elevação nessa fase.

E a TPM?

Para algumas mulheres, a fase pré-menstrual também envolve:

  • retenção de líquidos;
  • alterações de humor;
  • fadiga;
  • mudanças no sono;
  • maior desejo por determinados alimentos.

Esses fatores podem influenciar diretamente o comportamento alimentar.

E existe uma diferença importante:

aumento do apetite não significa necessariamente aumento proporcional da necessidade energética.

Parte da sensação pode estar relacionada às alterações hormonais, ao sono, ao estresse e à maior exposição aos alimentos palatáveis.

Isso significa que toda mulher precisa comer mais antes da menstruação?

Não.

A resposta varia bastante entre as mulheres e também entre diferentes ciclos da mesma pessoa.

Por isso, não existe uma regra universal dizendo que determinada quantidade de calorias deve ser adicionada na fase lútea.

O mais importante é observar o padrão individual.

A nutrição pode acompanhar essa fisiologia

Em vez de interpretar o aumento da fome como falta de disciplina, pode ser mais útil avaliar:

fome + saciedade + qualidade da alimentação + sono + atividade física + fase do ciclo + sintomas individuais.

Uma alimentação com quantidade adequada de proteínas, fibras, carboidratos, gorduras e micronutrientes pode ajudar na manutenção da saciedade e da qualidade nutricional ao longo do ciclo.

O corpo feminino não é metabolicamente igual todos os dias.

Entender o ciclo menstrual pode ajudar a construir estratégias nutricionais mais realistas, individualizadas e sustentáveis.

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