Fibrose: quando o reparo tecidual se torna patológico
Fibrose: quando o reparo tecidual se torna patológico
A fibrose é uma resposta de reparo caracterizada pelo acúmulo excessivo de componentes da matriz extracelular, principalmente colágeno, em um tecido.
Em condições normais, após uma lesão, o organismo ativa mecanismos para reparar o tecido. Fibroblastos e outras células participam desse processo produzindo matriz extracelular, que fornece suporte para a regeneração.
O problema surge quando a lesão ou inflamação persiste. Nesse cenário, os sinais que estimulam o reparo podem permanecer ativos, levando à produção e deposição contínua de matriz extracelular.
🔬 O TGF-β (fator de crescimento transformador beta) é um dos principais mediadores envolvidos nesse processo. Ele estimula fibroblastos e pode favorecer sua diferenciação em miofibroblastos, células com importante capacidade de produzir componentes da matriz e participar da contração do tecido.
Com o tempo, o excesso de matriz pode alterar a estrutura e a função do órgão.
A fibrose pode ocorrer em diferentes tecidos:
- 🫁 Pulmões: pode reduzir a elasticidade pulmonar e prejudicar as trocas gasosas.
- ❤️ Coração: pode alterar a estrutura e a função do músculo cardíaco.
- 🧠 Fígado: a fibrose progressiva pode contribuir para a evolução da doença hepática crônica e cirrose.
- 🩺 Rins: pode substituir tecido funcional e contribuir para perda progressiva da função renal.
É importante diferenciar fibrose de cicatrização normal. A formação de tecido cicatricial faz parte do reparo fisiológico; a fibrose torna-se problemática quando a deposição de matriz é excessiva, persistente e prejudica a arquitetura ou a função do tecido.
Em essência, a fibrose representa um paradoxo biológico: o mesmo mecanismo criado para reparar uma lesão pode, quando persistentemente ativado, transformar-se em fonte de dano.



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