Síndrome metabólica: mecanismos fisiopatológicos
Síndrome metabólica: mecanismos fisiopatológicos
A síndrome metabólica (SM) não é uma única doença, mas um conjunto de alterações metabólicas que tendem a ocorrer em associação, aumentando o risco de diabetes tipo 2, doença cardiovascular e doença hepática metabólica.
O ponto central da fisiopatologia é a interação entre resistência à insulina, adiposidade visceral, inflamação crônica de baixo grau e alterações do metabolismo lipídico.
🧬 1. Resistência à insulina
É um dos mecanismos centrais.
Na resistência à insulina, tecidos como músculo, fígado e tecido adiposo respondem menos ao hormônio.
Consequências:
- ↓ captação de glicose pelo músculo
- ↑ produção hepática de glicose
- ↑ lipólise no tecido adiposo
- ↑ circulação de ácidos graxos livres
- hiperinsulinemia compensatória
Inicialmente, o pâncreas aumenta a secreção de insulina para manter a glicemia. Com a progressão da disfunção metabólica, essa compensação pode não ser suficiente.
🫃 2. Expansão do tecido adiposo visceral
O excesso de gordura visceral é metabolicamente ativo.
O adipócito hipertrofiado pode apresentar:
↑ lipólise → ↑ ácidos graxos livres → fígado
Isso favorece:
- resistência à insulina hepática;
- aumento da síntese de triglicerídeos;
- esteatose hepática;
- aumento da produção de VLDL;
- alterações do perfil lipídico.
🔥 3. Inflamação crônica de baixo grau
O tecido adiposo visceral pode liberar citocinas e quimiocinas pró-inflamatórias, como TNF-α e IL-6, além de alterar a produção de adipocinas.
Isso contribui para a interferência na sinalização da insulina e para a manutenção da resistência insulínica.
É o chamado inflammaging/metainflammation quando associado a outros contextos metabólicos e ao envelhecimento.
🧪 4. Alteração do metabolismo lipídico
A resistência à insulina aumenta a disponibilidade de ácidos graxos livres para o fígado.
Isso pode levar a:
↑ VLDL + ↑ triglicerídeos + ↓ HDL + aumento de partículas de LDL pequenas e densas
Esse padrão é conhecido como dislipidemia aterogênica.
🩸 5. Hipertensão e disfunção endotelial
A resistência à insulina, hiperinsulinemia, inflamação, estresse oxidativo e alterações na função vascular podem contribuir para:
- aumento da atividade simpática;
- retenção de sódio;
- alteração da produção de óxido nítrico;
- aumento da resistência vascular;
- elevação da pressão arterial.
⚡ 6. Estresse oxidativo e disfunção mitocondrial
O excesso de nutrientes, especialmente em um contexto de resistência à insulina, pode aumentar a produção de espécies reativas de oxigênio.
O estresse oxidativo pode prejudicar:
- sinalização da insulina;
- função mitocondrial;
- metabolismo energético;
- função endotelial.
A síndrome metabólica é melhor entendida como uma rede interligada de alterações metabólicas, e não simplesmente como “gordura abdominal + glicose alta”.
🥗 E onde entra a nutrição?
A intervenção nutricional busca atuar justamente nesses mecanismos: melhorar a sensibilidade à insulina, reduzir excesso de gordura visceral, melhorar o perfil lipídico, controlar a pressão arterial e reduzir a carga inflamatória associada ao padrão alimentar.



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