Queda de cabelo e unhas fracas

 A ferritina é o principal indicador dos estoques de ferro do organismo. No entanto, um dos erros mais frequentes na prática clínica ao investigar eflúvio telógeno (queda excessiva de cabelo) e onicosquizia (unhas fracas e quebradiças) é avaliar a ferritina apenas sob a ótica da anemia, ignorando o nível ideal necessário para a saúde dos anexos cutâneos.



1. O Grande Equívoco: O "Normal" do Laboratório vs. Nível Otimizado

Os valores de referência dos laboratórios para ferritina em mulheres costumam ser muito amplos (ex: entre 10 ng/mL e 200 ng/mL).

  • Para não ter anemia: Níveis acima de $15\text{ ng/mL}$ ou $20\text{ ng/mL}$ costumam ser suficientes para que a hemoglobina permaneça dentro do intervalo normal.

  • Para a saúde capilar e unhas: O folículo piloso e a matriz ungueal são tecidos de altíssima taxa de divisão celular e metabólica. A literatura dermatológica aponta que níveis de ferritina abaixo de 50 a 70 ng/mL já podem desencadear ou manter a queda de cabelo e a fragilidade das unhas, mesmo sem presença de anemia manifesta.

2. A Mecânica Fisiológica: Por Que o Cabelo Sofre Primeiro?



Quando os estoques de ferro começam a cair, o organismo ativa um mecanismo de hierarquização fisiológica de nutrientes:

  1. Prioridade Vital: O ferro é direcionado prioritariamente para funções essenciais à vida, como a síntese de hemoglobina (transporte de oxigênio nos glóbulos vermelhos) e reações essenciais no sistema nervoso e cardiovascular.

  2. Despriorização dos Anexos: Cabelo e unhas são tecidos não vitais para a sobrevivência. O organismo interrompe a entrega de ferro para os folículos pilosos e para a matriz da unha para economizar o mineral.

  3. Involução do Folículo: A falta de ferro reduz a atividade da ribonucleotídeo redutase (enzima ferro-dependente envolvida na síntese de DNA nas células da matriz do cabelo), antecipando a transição da fase de crescimento (anágena) para a fase de queda (telógena).

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